Páginas / Newsletter

terça-feira, 30 de abril de 2024

"Conversas sobre Liberdade, conversas em Liberdade"... mais uma

    Na segunda dia 29 de abril recebemos o nosso colega  Pedro Abreu, para mais uma "Conversa sobre Liberdade, Conversa em Liberdade". O tema escolhido foi a "Guerra Colonial", decorrida entre 1961 e 1974, vista por quem é simultaneamente professor de História e filho de um ex-combatente. 

    O professor Pedro Abreu começou por fazer uma contextualização do conflito, analisando as condições políticas que o sustentaram durante 13 anos, explicitando conceitos, fornecendo informações significativas, traçando uma cronologia dos acontecimentos principais e problematizando a forma como o prolongamento da guerra acabou por levar ao Golpe de Estado que derrubaria o regime a 25 de abril de 1974. Foi, neste processo, interpelando os alunos para refletirem sobre o impacto social e humano da guerra, ontem como hoje, assim como sobre o significado do domínio de uns povos sobre outros, a ausência de liberdade individual e a importância do direito à  autodeterminação de todos os povos. Foi-se construindo, em conjunto, um cenário, uma representação mental de um Portugal dominado por um regime político que, ao insistir num colonialismo velho de séculos, impõe ao país todos os sacrifícios inerentes à manutenção de uma guerra. Depois surge o exemplo de um jovem alferes de 23 anos, que partiu de Lisboa no Paquete "Uige" no dia 27 de abril de 1965, para uma comissão de 3 anos na Guiné. E aqui a História cruza-se com a memória, individual e coletiva.  Individual, porque se trata do Pedro Abreu, que olha para a experiência vivida pelo pai, que recorda as histórias ouvidas ao longo da vida, que faz um esforço para entender o impacto dum acontecimento desta natureza na vida de um jovem: o receio de ter de seguir para o teatro de operações, a necessidade de adiar projetos de vida como estudos, namoro, casamento,  família; o dilema entre "servir a pátria" e ser treinado para matar. Memória coletiva também, visto que a situação se repetiu praticamente com cada família portuguesa da época. 

Gostaríamos de dizer, em conclusão, que assistimos a uma excelente aula de História cumprindo grande parte das aprendizagens essenciais do 9º ano para esta disciplina,  relativas ao tema "Portugal: do autoritarismo à democracia", ao mesmo tempo que  interpelação e o questionamento constantes aos alunos, incentivaram a participação ativa destes, a reflexão e o debate.

Queremos finalmente  agradecer a generosidade do nosso colega por ter disponibilizado imensas fotografias do seu arquivo pessoal para exposição de reproduções na Biblioteca.




domingo, 28 de abril de 2024

Em abril... assinalar com um militar de Abril

     O nosso colega Pedro Cardoso, trouxe-nos para mais uma "Conversa sobre liberdade, conversa em Liberdade", um militar de abril bem conhecido: o major (atualmente coronel) Mário Tomé.
    Mário António Baptista Tomé, nascido em Estremoz, em 1940, (portanto hoje com 84 anos), frequentou a Academia Militar onde entrou em 1957 e participou na Guerra Colonial Portuguesa, tanto na Guiné como em Moçambique, entre 1963 e 1974, num total de quatro comissões. Tornou-se uma figura importante no Movimento dos Capitães, que concretizou o golpe de estado de 25 de abril de 1974. Após a revolução, Mário Tomé ocupou vários cargos políticos de destaque, nomeadamente como Secretário-geral do partido União Democrática Popular (UDP) entre 1987 e 1995, chegando a ser Deputado à Assembleia da República entre 1979 e 1983 e entre 1991 e 1995, por esse partido. Para além deste ativo papel político, Mário Tomé, tem-se mantido ao longo dos anos como uma figura conhecida e reconhecida pelas suas posições críticas e pela defesa da democracia e da justiça social.
    E foi esta a conversa que Mário Tomé nos trouxe, primeiro para duas turmas de 7º e uma turma de 8º, um público mais difícil e desatento, e depois para uma turma de 9º ano, mais reflexiva. Soube adaptar o seu discurso aos alunos concretos à sua frente, fornecendo algumas informações sobre os acontecimentos do 25 de abril de 1974, as condições decorrentes do colonialismo e da ditadura, mas sobretudo reforçando a ideia de que, ontem como hoje "sem paz não há liberdade".
    Envolveu todos no seu discurso, referindo que "temos de pensar o que temos de fazer para haver paz e liberdade, que estão muito ligadas", ou ainda "A importância da nossa conversa é vocês serem informados e tentarem informar-se do que é que foi a ditadura, o colonialismo" (...) "Têm de entender o que é adequado aos vosso interesses, o que querem para o vosso futuro" (...) "e saber o que se passou, entender aquilo que nunca mais pode voltar.. que há aí muita gente a querer voltar atrás". Depois deu a palavra aos alunos, insistindo para que colocassem as questões que quisessem. E surgiram de facto várias questões: "O que fez no 25 de abril?"; "As escolas, as regras da escola, eram muito diferentes de hoje em dia?"; "Falava-se de sexualidade nessa altura?; "O que acontecia se encontrassem um casal de gays ou um casal de lésbicas nessa altura?"; "O que era a PIDE?"; "O que foi o Estado Novo?". Mário Tomé não se escusou a nenhuma questão, valorizando todas elas como reflexo das preocupações dos nossos alunos, reforçando sendo a importância da preservação da liberdade, da justiça social, da igualdade de todos.  Esclareceu alguns conceitos como Estado Novo, por exemplo. Chamou a atenção para o facto de, sendo essa a designação criada por Salazar para o regime político que criara, parecendo evocar inovação, foi, na realidade, uma ditadura de cariz fascista e é como tal que o devemos referir.
   


Para uma biografia mais completa de Mário Tomé:

https://www.cd25a.uc.pt/pt/page/1899

https://www.esquerda.net/artigo/mario-tome-o-grande-resistente/65537 

Em abril... assinalar abril com o Arquivo Municipal de Lisboa.

     Começámos bastante cedo com algumas atividades (nomeadamente as aqui já divulgadas "Conversas sobre Liberdade, conversas em Liberdade) para ir assinalando os 50 anos do 25 de abril 1974, mas claro a proximidade deste tão importante aniversário aumentou e diversificou essas atividades. Sempre pressionados pela falta de tempo e pelo excesso de tarefas só agora vos damos conta.
    As nossas queridas técnicas do Serviço Educativo, trouxeram mais uma sessão, desta vez, claro, sobre o 25 de abril de 1974. Para os 9ºs anos (dia 18) e para os 6ºs (dia 23). Primeiro a apresentação dos acontecimentos que, projetados pelos capitães insurretos  e iniciados a 24 de abril de 1974 iriam desembocar numa Revolução. Abril hora a hora, ilustrado por documentos escritos, sonoros, fotográficos. De seguida a proposta de refazer alguns dos cartazes realizados ao longo dos anos para assinalar a Revolução. Foi distribuída a cada aluno a reprodução de um dos cartazes assim como uma folha de papel químico e uma folha branca. O resultado final é sempre uma surpresa! Ficou decidido que os alunos terminariam a recriação do seu cartaz para realizarmos uma exposição conjunta. Para além desta atividade as técnicas também nos deixaram uma brochura criada para esta ocasião especial de 50 anos do 25 de abril de 1974.






sexta-feira, 26 de abril de 2024

"Conversas em Liberdade, conversas sobre Liberdade"

     No dia 4 de março recebemos Cristina Roldão para dar continuidade às nossas "Conversas em liberdade, conversas sobre liberdade", com as quais pretendemos assinalar os 50 anos de liberdade no nosso país. Cristina Roldão é socióloga, professora convidada da Escola Superior de Educação de Setúbal e investigadora, também conhecida (e reconhecida) pelo seu trabalho de ativismo antirracista e feminista. 

    Sob o lema muito genérico de "vamos falar de racismo" pedimos à nossa convidada que nos interpelasse para as questões mais subtis do racismo, aquele que persiste na linguagem, que se traduz em lacunas no currículo, que explica a existência massiva ou a inexistência de alunos afro-descendestes em algumas escolas, aquele que perdura nas "anedotas", nas piadas, nas observações condescendentes.

    Aos alunos presentes (inicialmente prevista para duas turmas de 8º ano, a atividade acabou por abarcar também o 7º B e o 9ºC) pedimos que recordassem tudo o que já tinha sido abordado sobre este tema, nomeadamente nos trabalhos interdisciplinares realizados em Domínio de Autonomia Curricular em torno do tema "Diferentes mas unidos" e sobretudo, claro, as suas experiências, as suas vivências.

    Partindo de um questionamento sistemático, a professora Cristina Roldão partilhou  ideias, levantou-nos dúvidas, levando-nos a encarar o racismo como um fenómeno muito complexo, com múltiplos níveis (racismo individual, institucional, estrutural, racismo incorporado), bem presente em diferentes âmbitos da nossa sociedade. 

    Para além desta pequena notícia estamos a preparar uma brochura, que possa dar conta de forma mais completa do debate de ideias que a professora Cristina Roldão trouxe generosamente até nós. Até lá para ficar a saber mais:

https://ciencia.iscte-iul.pt/authors/cristina-maria-pinto-roldao/cv 

https://www.youtube.com/watch?v=0AOvAdY11Yg 

https://www.google.com/search?client=firefox-b-d&q=teste+da+boneca+preta#fpstate=ive&vld=cid:d62af87b,vid:CdoqqmNB9JE,st:0